{"id":5627,"date":"2024-11-28T11:25:44","date_gmt":"2024-11-28T14:25:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/?p=5627"},"modified":"2024-11-28T18:49:24","modified_gmt":"2024-11-28T21:49:24","slug":"mary-martin-uma-estrela-da-broadway-em-goias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/mary-martin-uma-estrela-da-broadway-em-goias\/","title":{"rendered":"Mary Martin: uma estrela da Broadway em Goi\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<figure id=\"attachment_5644\" aria-describedby=\"caption-attachment-5644\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5644 size-full\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/23-de-Agosto-de-1975-Periodico-Manchete-01_480.png\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"614\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/23-de-Agosto-de-1975-Periodico-Manchete-01_480.png 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/23-de-Agosto-de-1975-Periodico-Manchete-01_480-400x512.png 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5644\" class=\"wp-caption-text\">Mary Martin em Goi\u00e1s | Arquivo: Revista Manchete<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/produto\/terra-prometida\/\"><em>Terra Prometida<\/em><\/a>, a autora e atriz de Hollywood Joan Lowell tece um relato espirituoso de suas aventuras no centro-oeste brasileiro, a partir da d\u00e9cada de 1930. Tratam-se de epis\u00f3dios pitorescos, em que Lowell descobre um mundo completamente novo (ex\u00f3tico, a seu ver), e que fizeram grande sucesso<br \/>\nentre a comunidade cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para que as hist\u00f3rias fascinantes de Lowell atra\u00edssem seus colegas hollywoodianos. Com sua ajuda, o premiado casal Janet Gaynor e Gilbert Adrian (que estampam a capa desta nova edi\u00e7\u00e3o de <em>Terra Prometida<\/em>), comprou uma casa e se estabeleceu em An\u00e1polis, Goi\u00e1s. Por sua vez, Janet e Adrian apresentaram Joan e as belezas das terras brasileiras \u00e0 estrela da Broadway Mary Martin e seu marido, o produtor Richard Halliday. Embora a negocia\u00e7\u00e3o para compra de terras entre os Halliday e Lowell tenha se revelado um golpe por parte de Joan, o encantamento de Mary e Richard com nosso cerrado foi permanente.<\/p>\n<p>Em sua autobiografia (<em>My Heart Belongs<\/em>, 1976), Mary Martin dedica um cap\u00edtulo inteiro \u00e0 sua pr\u00f3pria aventura no Brasil, contando como foi sua primeira visita a Goi\u00e1s, como descobriram que estavam sendo enganados por Joan e por que, apesar de tudo, seguiram com os planos de comprar terras e construir uma casa em An\u00e1polis. Confira abaixo o texto traduzido por M\u00e1rcia Macedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5646\" aria-describedby=\"caption-attachment-5646\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5646 size-full\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-Tela-1243_480.png\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-Tela-1243_480.png 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-Tela-1243_480-400x292.png 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5646\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo: Correio Braziliense<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><br \/>\nCap\u00edtulo XX<br \/>\n<\/strong><strong>Para o Brasil &#8211; <\/strong><strong>Um sonho na selva<\/strong><\/p>\n<p>Por dezoito anos, eu e Richard nos apaixonamos por um lindo e selvagem peda\u00e7o de terra em meio \u00e0 selva brasileira. \u00c9 dif\u00edcil explicar com precis\u00e3o como se deu esse sentimento e qu\u00e3o significativa essa propriedade foi para n\u00f3s. Sonh\u00e1vamos com ela quando est\u00e1vamos em outro lugar, retorn\u00e1vamos a ela em busca de renova\u00e7\u00e3o para nos restaurarmos, sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Cada estilo de vida tem sua pr\u00f3pria cad\u00eancia, \u00fanica e distinta. Por mais que n\u00f3s dois ador\u00e1ssemos o agito da Broadway, n\u00e3o raro ansi\u00e1vamos para corrermos de volta \u00e0quela vermelha e rica terra brasileira, ao brilhante c\u00e9u de azul e \u00e0s ondulantes nuvens brancas, ao canto dos p\u00e1ssaros ao amanhecer e ao p\u00f4r do sol, \u00e0 paz.<\/p>\n<p>Os amigos se referiam \u00e0quela terra como \u201co escape\u201d, mas n\u00e3o se tratava disso. L\u00e1 tamb\u00e9m havia problemas di\u00e1rios a serem resolvidos, mas eram diferentes dos que t\u00ednhamos em Nova York. Nunca fic\u00e1vamos ociosos. Richard se tornou um fazendeiro ocupado; eu acabei por me tornar dona de uma butique localizada em uma pequena cidade pr\u00f3xima a An\u00e1polis; nossa simples e pequena casa no campo cresceu e cresceu, at\u00e9 parecer um pequeno vilarejo. Pod\u00edamos, juntos, ficar observando por horas, todos os dias, tudo o que l\u00e1 crescia: os jardins e as hortas, a casa e os nossos planos. Richard, que nunca mais havia andado a cavalo desde que Will Rogers o colocou sobre um aos cinco anos de idade, aprendeu a montar. Eu, que soube do meu amor por cavalos desde crian\u00e7a, descobri a alegria de galopar a toda velocidade, subindo colinas e descendo vales. Oper\u00e1rios, utilizando fac\u00f5es, abriram rotas dentro da floresta e, ent\u00e3o, pude cavalgar at\u00e9 esses locais.<\/p>\n<p>Um dos milagres do Brasil \u00e9 a sua grandiosidade, seu Horizonte. L\u00e1, a Terra de fato parece <em>redonda<\/em>; pode-se ver nas bordas onde a Terra se encontra com o c\u00e9u. David Warshaw, nosso advogado financeiro, o milagroso gerente da nossa vida, e amigo pr\u00f3ximo da fam\u00edlia h\u00e1 mais de vinte anos, veio nos visitar uma vez e me disse que tudo se trava de apenas uma ilus\u00e3o de perspectiva, luz e espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Da nossa fazenda, do topo de uma colina, avist\u00e1vamos a uma dist\u00e2ncia de at\u00e9 160 quil\u00f4metros em todas as dire\u00e7\u00f5es, e o horizonte realmente parecia se arredondar. O p\u00f4r do sol era espetacular e, \u00e0 noite, as estrelas eram t\u00e3o enormes e t\u00e3o pr\u00f3ximas que a vontade era de esticar o bra\u00e7o e peg\u00e1-las. Ver o p\u00f4r do sol e observar as estrelas eram rituais noturnos na nossa varanda.<\/p>\n<p>E tinham os jardins. L\u00e1, costuma-se dizer que, quando algu\u00e9m planta algo, \u00e9 preciso sair logo do caminho, pois tudo cresce rapidamente e com exuber\u00e2ncia. Esse pa\u00eds entusiasmante incentivou a imagina\u00e7\u00e3o sem-fim do meu marido. Uma vez, ele me perguntou quais flores eu gostaria de ter no jardim da casa, e eu respondi que seriam rosas. Richard plantou centenas de roseiras, de todas as cores. Ele media 1,80m e, no per\u00edodo de um ano, elas j\u00e1 estavam mais altas do que ele. Levam-se v\u00e1rios dias para cortar as flores das trezentas roseiras.<\/p>\n<p>Richard era um perfeccionista, um verdadeiro paisagista e, no Brasil, encontrou o maior material do mundo para desenvolver seu trabalho. Construiu tr\u00eas lagos e sete cascatas, al\u00e9m disso, me deu o presente de anivers\u00e1rio mais inusitado que uma garota poderia ganhar \u2013 uma ponte japonesa. Sempre quis ter uma, mas quem imagina que, um dia, um sonho maluco se torne realidade? S\u00f3 mesmo o Richard. Ele pr\u00f3prio a projetou, e encomendou sua constru\u00e7\u00e3o em An\u00e1polis \u2013 uma ponte de ferro forjado e vermelho laqueado. Eu a vi adentrar a fazenda, dividida em duas partes, na ca\u00e7amba de um caminh\u00e3o enorme, bem na manh\u00e3 do meu anivers\u00e1rio. N\u00e3o fazia ideia do que era aquilo at\u00e9 ela ser montada e instalada, conectando os dois lados opostos de um pequeno lago. Foi o presente de anivers\u00e1rio mais emocionante que recebi na vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5647\" aria-describedby=\"caption-attachment-5647\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5647\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Essa-tava-no-meio-do-texto-que-traduzimos_480.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"485\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Essa-tava-no-meio-do-texto-que-traduzimos_480.jpg 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Essa-tava-no-meio-do-texto-que-traduzimos_480-400x404.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5647\" class=\"wp-caption-text\">Meu presente de anivers\u00e1rio mais emocionante | livro <em>My Heart Belongs<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre as v\u00e1rias maluquices que comp\u00f5em o nosso caso de amor com o Brasil h\u00e1 o fato de nunca termos escolhido o pa\u00eds para visitar, quanto menos para morar. Em 1955, decidimos ir \u00e0 Gr\u00e9cia; mas depois nos desviamos um pouco da rota. Eu havia terminado <em>Peter Pan<\/em> e feito a primeira vers\u00e3o para televis\u00e3o. Est\u00e1vamos todos exaustos, ent\u00e3o, Richard, Heller e eu fizemos as malas para ir \u00e0 Gr\u00e9cia em um cargueiro.<\/p>\n<p>Nossos ba\u00fas tinham embarcado; dever\u00edamos partir de Hoboken na manh\u00e3 de uma segunda-feira. No s\u00e1bado, Richard foi dar uma olhada no cargueiro e nas nossas acomoda\u00e7\u00f5es. Ao chegar l\u00e1, para o seu desespero, descobriu que o navio n\u00e3o iria zarpar. N\u00e3o ia a lugar algum. Ele me ligou para dar a not\u00edcia e eu lhe disse: \u201cPor que voc\u00ea n\u00e3o vai ao pr\u00f3ximo ancoradouro, veja se h\u00e1 outro cargueiro rumo a outro lugar, qualquer lugar?\u201d.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<p>Havia um que zarparia na segunda-feira rumo \u00e0 Am\u00e9rica do Sul. Nenhum de n\u00f3s sequer pensara em viajar para l\u00e1, mas e da\u00ed? Est\u00e1vamos de malas prontas e t\u00ednhamos f\u00e9rias preciosas para desfrutar. Por que deixar de ir?<\/p>\n<p>\u201cNosso\u201d cargueiro era um lindo noruegu\u00eas novinho em folha. \u00c9ramos os \u00fanicos passageiros e foi como ter um iate privado por tr\u00eas meses gloriosos. N\u00e3o vimos terra firme durante duas semanas, at\u00e9 chegarmos ao Rio de Janeiro, um dos portos mais lindos do mundo. De l\u00e1, seguimos para Uruguai, Argentina e, ent\u00e3o, retornamos ao Brasil, pelo porto de Santos. Dessa vez, um barquinho a vapor veio ao nosso encontro e uma senhora brasileira falante de ingl\u00eas subiu a bordo para perguntar, \u201cRichard Halliday e Mary Martin? Tenho uma carta para voc\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>E como o mundo \u00e9 pequeno. A tal carta era de Janet Gaynor e Adrian, perguntando se poder\u00edamos ir visit\u00e1-los e ver sua rec\u00e9m-comprada casa brasileira. Sab\u00edamos que tinham propriedade l\u00e1, mas n\u00e3o o local exato. Ao partirmos em viagem no cargueiro, Hedda Hopper fez men\u00e7\u00e3o ao fato em sua coluna, acrescentando saber que Janet e Adrian \u201ctinham que saber em que local da Am\u00e9rica do Sul est\u00e3o os Halliday&#8230;\u201d. A m\u00e3e da Janet leu a coluna, recortou do jornal e enviou a ela pelos correios, e Janet e Adrian prontamente nos escreveram. Como n\u00e3o sabiam para onde enviar a carta, encarregaram sua amiga Janet Homer, moradora de Santos, de entreg\u00e1-la. Ela passou dois meses indo ao encontro de navios no porto e, ent\u00e3o, a carta estava um tanto gasta quando, finalmente, a miss\u00e3o foi cumprida.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, t\u00ednhamos somente um dia e uma noite antes do nosso cargueiro zarpar novamente e a viagem at\u00e9 a resid\u00eancia de Janet e Adrian era de quase 1.600 quil\u00f4metros. Richard e eu \u00e9ramos ambos doidos o suficiente para irmos at\u00e9 l\u00e1, mas Heller ficou chocada. Ela repetia: \u201c\u00c9 o jantar mais caro do qual j\u00e1 ouvi falar, percorrer todo esse caminho\u201d.<\/p>\n<p>Pegamos um pequeno avi\u00e3o em S\u00e3o Paulo, um desses pinga-pinga que pousavam a cada 80 quil\u00f4metros para pegar carga, correspond\u00eancia, lactantes e tudo o que se pode imaginar. Finalmente, chegamos a An\u00e1polis e l\u00e1 estavam Janet, Adrian, uma caminhonete e uma mulher que viemos a conhecer bem, uma americana que residia no Brasil a quem todos chamavam de Joanna. E l\u00e1 fomos n\u00f3s para mais uma hora de viagem, chacoalhando por uma trilha improvisada em meio \u00e0s \u00e1rvores rumo \u00e0 fabulosa casa. Adrian a projetara em estilo mourisco, a quase mil metros, nas montanhas que se erguiam sobre o deserto vermelho, ou o campo, no in\u00edcio dos grandes vales com montanhas ao fundo. Era algo glorioso, irreal, encravado na selva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5648\" aria-describedby=\"caption-attachment-5648\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5648\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-Tela-1131_480.png\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"660\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-Tela-1131_480.png 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-Tela-1131_480-400x550.png 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5648\" class=\"wp-caption-text\">No Brasil, Janet Gaynor ficou conhecida como &#8220;Dona Janete&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eles estavam come\u00e7ando a desencaixotar a mob\u00edlia, que chegara da Calif\u00f3rnia por navio para ser instalada no novo lar. A cama king\u00adsize, o primeiro item a ser desempacotado, era grande o suficiente para n\u00f3s quatro jantarmos. Quem nos serviu a refei\u00e7\u00e3o foi um casal de franceses que eles conheceram no Brasil, e n\u00f3s nos sentamos \u00e0 cama, comemos e conversamos a noite toda. Como sa\u00edmos logo ao amanhecer, Richard avistou da casa um grande monte verde do outro lado do vale, e disse, \u201cAvisem-me se um dia estiver \u00e0 venda\u201d.<\/p>\n<p>Achei que ele estava doido. N\u00e3o sab\u00edamos nada sobre agricultura; n\u00e3o fal\u00e1vamos portugu\u00eas, e o simples fato de chegar a este rinc\u00e3o remoto do mundo foi como executar um grande projeto. Mas eu tamb\u00e9m fiquei loucamente empolgada com o campo. Foi a primeira vez que vislumbramos um mundo m\u00e1gico e exuberante.<\/p>\n<p>E, ent\u00e3o, de volta \u00e0 caminhonete, ao avi\u00e3o, ao cargueiro, a Nova York, aos ensaios de The Skin of Our Teeth. Com tanta coisa acontecendo, ficamos sem nem pensar no Brasil por dias e semanas. Por\u00e9m, praticamente na primeira noite em que voltamos de Paris, est\u00e1vamos em um hotel, em Washington, e recebemos um telefonema do Brasil. Janet e Adrian pegaram um avi\u00e3o e voaram quase 1.600 quil\u00f4metros at\u00e9 S\u00e3o Paulo para encontrar um telefone e nos informar que o monte estava \u00e0 venda.<\/p>\n<p>Eu gritei, \u201cCompre, compre\u201d. Bom, infelizmente, desde que recebi meus primeiros vinte d\u00f3lares, que \u00e9 a maior soma de dinheiro que de fato consigo entender, minha tend\u00eancia \u00e9 sempre de dizer \u201cCompre\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o pod\u00edamos abandonar a apresenta\u00e7\u00e3o para ir correndo para o Brasil tratar da compra pessoalmente, ent\u00e3o, entregamos tudo para a senhora americana, a dona Joanna. Ela havia auxiliado a Janet e o Adrian na compra da fazenda e, al\u00e9m disso, eles consideraram excelente o trabalho que ela fez na constru\u00e7\u00e3o da casa. Passamos uma procura\u00e7\u00e3o a ela, enviamos dinheiro e, no devido tempo, recebemos o pacote de documentos mais impressionante que vimos na vida \u2013 todos com letras douradas, cobertos do que pareciam ser selos oficiais e escritos em portugu\u00eas, l\u00edngua da qual n\u00e3o l\u00edamos uma palavra. Contudo, nenhum receio nos passou pela cabe\u00e7a: afinal de contas, foi dona Joanna que achou o Valhalla dos Adrians.<\/p>\n<p>Janet e Adrian se apaixonaram pelo Brasil da mesma maneira que n\u00f3s, inesperada e repentinamente. Foram ao pa\u00eds de avi\u00e3o para participar de um festival de cinema no Rio e decidiram que gostaram de l\u00e1. Todo mundo tecia elogios \u00e0s belezas do interior profundo e eles quiseram ver com os pr\u00f3prios olhos. Uma conhecida brasileira os aconselhou a ir de avi\u00e3o at\u00e9 An\u00e1polis e procurar por dona Joanna. Ela era uma esp\u00e9cie de celebridade no local, uma desbravadora e uma mulher muito vivaz. Seu nome completo, Joan Lowell Bowen. Sob Joan Lowell, ela havia escrito um livro maravilhoso, <em>Cradle of the Deep<\/em>, que supostamente seria a hist\u00f3ria da sua m\u00e3e, uma respeit\u00e1vel jovem de Boston que se apaixonou por um capit\u00e3o de barca\u00e7a. Seus pais n\u00e3o aprovaram o relacionamento e a deserdaram quando ela se casou com o capit\u00e3o. Mais tarde, ela morreu no parto e Joan, a filha, foi criada na barca\u00e7a pelo pai. O livro causou bastante rebuli\u00e7o; foi selecionado pelo clube de assinaturas <em>Book-of-the-Month Club<\/em> do m\u00eas de mar\u00e7o de 1929. Eu me lembro de t\u00ea-lo lido quando jovem no Texas e amado. Era uma hist\u00f3ria de aventura muito emocionante.<\/p>\n<p>Mais tarde, ficou-se sabendo que a narrativa n\u00e3o era inteiramente verdade. Uma s\u00e9rie de hist\u00f3rias expuseram o \u201cembuste\u201d, Joan embarcou em um navio rumo ao Brasil e nunca mais retornou aos Estados Unidos. No entanto, ela quase fez a hist\u00f3ria do livro se tornar realidade ao se apaixonar ela pr\u00f3pria por um capit\u00e3o de navio, um homem chamado Bowen. Ela esperou por ele no Brasil e, quando ele se aposentou, eles se casaram e passaram a construir uma vida juntos. Foram verdadeiros desbravadores, abrindo caminhos na selva, construindo estradas com as pr\u00f3prias m\u00e3os ou com fac\u00f5es. Dona Joanna se tornou uma entusiasta e promotora da abertura do interior. Todo visitante americano que expressava interesse na compra de terra era enviado a ela. O caso de Janet e Adrian n\u00e3o foi diferente dos demais \u2013 eles precisavam encontr\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em An\u00e1polis, alugaram um carro e foram diretamente para a pequena casa de adobe dos Bowens. Ao chegarem, encontraram somente a empregada dom\u00e9stica idosa, que os convidou para entrar e aguardar o retorno de dona Joanna, que, segundo ela, havia sa\u00eddo sem hora para voltar em um caminh\u00e3o de arroz. Naquela \u00e9poca, todos viajavam nesses ve\u00edculos grandes e pesados por n\u00e3o haver outra forma de transporte na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5649\" aria-describedby=\"caption-attachment-5649\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5649\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/04-de-Junho-de-1955-Periodico-Manchete-_-A-Dona-Joana-do-Brasil-Central-_-10_480.png\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/04-de-Junho-de-1955-Periodico-Manchete-_-A-Dona-Joana-do-Brasil-Central-_-10_480.png 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/04-de-Junho-de-1955-Periodico-Manchete-_-A-Dona-Joana-do-Brasil-Central-_-10_480-400x333.png 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5649\" class=\"wp-caption-text\">Joan Lowell, \u00e0 esquerda, junto de Janet Gaynor | Arquivo: Revista Manchete<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Janet e Adrian se acomodaram para a esperar \u2013 e a tal espera durou quase uma semana. Finalmente, dona Joanna retornou, uma figura \u00e1gil e bronzeada, vestida de jeans azul e com cabelos compridos e presos em um dram\u00e1tico coque alto. Ela os levou para todo canto, mostrando-lhes as fazendas. Eles fizeram a sua escolha, deixaram dinheiro para a compra e voltaram para os EUA, felizes. Mais tarde, ficaram sabendo que o dono mudou de ideia, mas que dona Joanna havia encontrado outro lugar. Adrian pegou um avi\u00e3o para ver o novo terreno, aprovou-o, e deixou dinheiro e planos para o come\u00e7o das obras da casa. Essa hist\u00f3ria era composta por mais acontecimentos, mas, na \u00e9poca, ningu\u00e9m sabia.<\/p>\n<p>Quando, finalmente, <em>The Skin of Our Teeth<\/em> terminou, n\u00e3o v\u00edamos a hora de correr de volta ao Brasil para ver nossa nova propriedade. Fomos morar com Janet e Adrian, onde pretend\u00edamos ficar durante a constru\u00e7\u00e3o da nossa pequena casa, no nosso pequeno monte verde. Logo na primeira manh\u00e3, fomos a cavalo fazer um piquenique de almo\u00e7o em nossa colina. Vagueamos por horas, decidindo onde construir casa, onde fazer um po\u00e7o, onde colocar o jardim. Enquanto desfrut\u00e1vamos do nosso piquenique, ouvimos uns barulhos estranhos \u2013 <em>pssssiiiiiiiii, pssssiiiiiiiii<\/em> \u2013 que pareciam ser o sibilar de balas cortando o ar, mas tal coisa n\u00e3o nos parecia conceb\u00edvel. Estava tudo t\u00e3o tranquilo no monte; s\u00f3 n\u00f3s est\u00e1vamos l\u00e1. Pensamos estar assistindo televis\u00e3o demais, apesar de bem sabermos n\u00e3o existir TV a uma dist\u00e2ncia de milhares de quil\u00f4metros do local onde est\u00e1vamos sentados.<\/p>\n<p>Naquela noite, de volta \u00e0 resid\u00eancia dos Adrians, um homem segurando uma espingarda que parecia ter uns dois metros e meio de comprimento surgiu \u00e0 porta. Come\u00e7ou a conversar com o cozinheiro franc\u00eas que, por sua vez, tinha dificuldade de entender, pois o homem falava um portugu\u00eas veloz. Ap\u00f3s final da conversa, contou-nos que, pelo que havia entendido, o homem da espingarda dissera que hoje tinha sido \u201capenas um aviso\u201d. E que se n\u00f3s invad\u00edssemos sua propriedade novamente, ele atiraria para valer.<\/p>\n<p>Essa foi a primeira pista do que depois se revelou verdade \u2013 n\u00e3o \u00e9ramos os donos daquele monte. Contudo, passamos mais seis semanas pensando que ele nos pertencia. Diariamente, dona Joanna surgia com uma nova hist\u00f3ria interessante e convincente sobre nossa nova propriedade. Primeiro, ela disse que o homem da espingarda era o antigo dono, t\u00e3o analfabeto que marcou somente um \u201cX\u201d no recibo de compra, que ele n\u00e3o entendia nada sobre direitos de propriedade, afirmou, e que guardava nosso dinheiro debaixo da cama em uma pequena cabana de sua propriedade que ficava logo no p\u00e9 do pr\u00f3prio monte. Nossos documentos cheios de fita e letras douradas n\u00e3o continham nada que se parecesse com um \u201cX\u201d mas ignoramos a pequena falha naquele momento.<\/p>\n<p>Depois, foi-nos informado que o homem entendia, sim, mas que tinha gado na colina, ent\u00e3o, precisava mant\u00ea-los em solo elevado por um tempo ou deix\u00e1-los l\u00e1 at\u00e9 terminarem com o milho, ou que ainda estavam se alimentando do feij\u00e3o \u2013 todo dia, uma hist\u00f3ria diferente. No entanto, o conselho permanecia o mesmo: \u201cLevantem-se logo cedo pela manh\u00e3 e observem\u201d, Joanna disse. \u201cQuando o avistarem levando o gado embora em um ve\u00edculo, saber\u00e3o que \u00e9 o fim. Ele tirar\u00e1 o dinheiro debaixo da cama, ir\u00e1 embora e a terra \u00e9 de voc\u00eas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s nos levant\u00e1vamos solene e rotineiramente ao raiar do dia para ver o gado ser levado embora \u2013 o que nunca ocorreu.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima revela\u00e7\u00e3o feita pela nossa m\u00e1quina de lorotas foi que a \u201cnossa\u201d terra continha uma abund\u00e2ncia de minerais, ouro, ur\u00e2nio, e n\u00e3o sei l\u00e1 mais o qu\u00ea \u2013 e era tudo nosso. Assim que pus\u00e9ssemos as m\u00e3os no que l\u00e1 existia, certamente ser\u00edamos ricos. Pouco tempo depois dessa, Joanna nos contou que l\u00e1 crescia uma erva que poderia ser aplicada no rosto para rejuvenescer a pele e que se encontr\u00e1ssemos uma maneira de engarraf\u00e1-la, revolucionar\u00edamos toda a ind\u00fastria de beleza feminina. Por essa \u00e9poca, passamos a ter a sensa\u00e7\u00e3o de que nossa terra tinha tudo o que existe neste mundo, menos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Hoje em dia, parece-nos inacredit\u00e1vel termos sido t\u00e3o ing\u00eanuos por tanto tempo. Nas primeiras duas viagens, eu realmente n\u00e3o fiz a conex\u00e3o entre \u201cdona Joanna\u201d e a Joan Lowell do livro-embuste, mas ficou \u00f3bvio que seu poder imaginativo e descritivo havia se desenvolvido com os anos. As hist\u00f3rias que contava eram t\u00e3o complexas, t\u00e3o incr\u00edveis que pareciam o desenrolar de um enredo de um filme feito pelos est\u00fadios Republic.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5650\" aria-describedby=\"caption-attachment-5650\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5650\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Joan-Lowell-Bowen-horse-back-riding-on-her-ranch._480.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"745\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Joan-Lowell-Bowen-horse-back-riding-on-her-ranch._480.jpg 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Joan-Lowell-Bowen-horse-back-riding-on-her-ranch._480-400x621.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5650\" class=\"wp-caption-text\">Joan Lowell, no centro, em ensaio para a revista Life (Photo by Dmitri Kessel\/The LIFE Picture Collection via Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, ficou irremediavelmente claro que n\u00e3o \u00e9ramos nem nunca ser\u00edamos os donos daquele monte. Joanna pegara nosso dinheiro para comprar centenas de hectares acres em \u00e1rea de mata mais distante, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia. Ela ouvira dizer que v\u00e1rios ricos criadores de gado texanos planejavam ter fazendas no Brasil. Um texano de fato apareceu, mas n\u00e3o ficou por muito tempo e n\u00e3o creio que tenha comprado algo. Depois, ningu\u00e9m mais veio. Ela ficou com aquele terreno encalhado e n\u00f3s ficamos <em>sem<\/em> o nosso.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a ficar evidente para todos n\u00f3s que nossa amiga n\u00e3o havia sido honesta ou que, no m\u00ednimo, tinha ultrapassado alguns limites. A ador\u00e1vel casa de Janet e Adrian foi constru\u00edda com madeira verde, que come\u00e7ou a encolher e rachar conforme envelhecia e se assentava. Dona Joanna deu a Richard e eu um cheque de um banco em An\u00e1polis para nos devolver o dinheiro da compra. Quando tentamos sac\u00e1-lo, os banc\u00e1rios gentilmente explicaram que o cheque n\u00e3o tinha fundos naquele banco. Ela rapidamente passou outro cheque, de outro banco, mas o desfecho foi o mesmo.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos todos envergonhados e chateados. Adrian, que havia contra\u00eddo uma febre baixa, ficou t\u00e3o estarrecido que seu estado piorou. Os brasileiros em An\u00e1polis estavam ainda mais abalados do que n\u00f3s. Sentiam que a honra do Brasil estava em risco, apesar de termos entrado nesta enrascada por meio de uma conterr\u00e2nea nossa. Foi o maravilhoso Jibran, um empres\u00e1rio apresentado a n\u00f3s pelo casal Adrian, que decidiu tomar uma atitude. Ele e alguns amigos \u2013 um banqueiro, um advogado, um m\u00e9dico \u2013 vieram nos visitar e se ofereceram para encontrar outra propriedade e se mobilizar para conseguir o montante necess\u00e1rio para compr\u00e1-la. Segundo o grupo, anos poderiam se passar at\u00e9 conseguirmos reaver nosso dinheiro, e eles poderiam realizar tal feito com mais rapidez. Joanna era dona de centenas de hectares, planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9, postos de gasolina e mais sei l\u00e1 o qu\u00ea, e todos os neg\u00f3cios eram feitos em An\u00e1polis.<\/p>\n<p>Richard e eu resistimos em um primeiro momento. Sentimos que seria responsabilidade demais para eles, que j\u00e1 estavam sendo t\u00e3o generosos. S\u00f3 que n\u00e3o cont\u00e1vamos com a determina\u00e7\u00e3o de Jibran, um homem muito persistente e nosso amigo brasileiro mais pr\u00f3ximo at\u00e9 hoje. Ele e seus colegas permaneceram firmes; j\u00e1 est\u00e1vamos h\u00e1 seis semanas com Janet e Adrian; t\u00ednhamos de nos decidir rapidamente. Concordamos em ver outras fazendas, encontramos uma perfeita para n\u00f3s, e pelo mesmo valor pago pelo monte. O grupo de amigos comprou a propriedade para n\u00f3s e digo com toda a alegria que, ap\u00f3s um ano, todos receberam seu dinheiro de volta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5657\" aria-describedby=\"caption-attachment-5657\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5657\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/03-de-Marco-de-1956-\u2013-Periodico-O-Cruzeiro-_-Goias-Conquista-a-America-33_480.png\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/03-de-Marco-de-1956-\u2013-Periodico-O-Cruzeiro-_-Goias-Conquista-a-America-33_480.png 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/03-de-Marco-de-1956-\u2013-Periodico-O-Cruzeiro-_-Goias-Conquista-a-America-33_480-400x252.png 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5657\" class=\"wp-caption-text\">As amigas Janet Gaynor e Mary Martin | Arquivo: O Cruzeiro<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existem muitos desdobramentos, ou n\u00e3o-desdobramentos, dessa hist\u00f3ria. Joanna escreveu pelo menos mais um livro, <em>Promised Land<\/em> [<em>Terra Prometida<\/em>], sobre sua vida no Brasil e, em dado momento, ouvi dizer que Joan Crawford havia comprado os direitos para realizar um filme. Contudo, tal filme, ou qualquer outro, nunca foi feito. Joanna vendeu escrituras de terra para Cary Grant, Claudette Colbert e n\u00e3o sei mais quem. Na \u00faltima vez em que vi Cary Grant, ele me perguntou como estava a sua propriedade no Brasil. \u201cVoc\u00ea nunca a viu?\u201d, perguntei. Ele respondeu, \u201cEu nunca mais nem <em>ouvi<\/em> falar dela desde que enviei o valor correspondente \u00e0 entrada\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o acho que dona Joanna fosse uma mulher ruim, nem que ela tivesse a inten\u00e7\u00e3o de enganar. Era simplesmente uma grande sonhadora cuja imagina\u00e7\u00e3o sa\u00eda do controle de vez em quando. Al\u00e9m disso, tinha seus problemas; certa vez, foi a An\u00e1polis e pediu para ficar presa na cadeia local para escapar de \u201cinimigos\u201d. Brasileiros podem se exaltar muito quando ficam com raiva. Est\u00e1 morta agora, aquela pobre mulher, mas os brasileiros jamais a esquecer\u00e3o e eu tampouco.<\/p>\n<p>Depois de todo aquele drama, finalmente conseguimos ter nossa fazenda e uma modesta casa de adobe que come\u00e7amos a ajeitar. Sempre que pod\u00edamos, talvez uma vez por ano, \u00edamos correndo para a \u201cNossa Fazenda\u201d, a nossa propriedade. Richard trabalhava feito louco a cada viagem, reformando a casa, fazendo planos e plantando.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alguns anos, decidimos que talvez tenha sido loucura ter uma casa em um local t\u00e3o distante de Nova York, t\u00e3o dif\u00edcil de chegar. A querida Janet n\u00e3o morava mais no Brasil, pois Adrian morrera repentinamente de hemorragia cerebral, em 1959. O casal sempre passava uma parte do ano nos Estados Unidos e, quando Adrian faleceu, ele estava na Calif\u00f3rnia, ocupado com o desenvolvimento do figurino da produ\u00e7\u00e3o de <em>Camelot<\/em> para a Broadway. Janet estava em Nova York, por insist\u00eancia de Adrian, realizando um trabalho preliminar para uma pe\u00e7a, a primeira na qual concordara em atuar. Foi a primeira vez que Janet e Adrian ficaram longe um do outro. Ela sempre pensou que Adrian tivera uma premoni\u00e7\u00e3o e, por isso, havia lhe dito para ir para outro lugar. Ela estava em Nova York quando tudo aconteceu, e demorou para conseguir retornar \u00e0 Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>A nossa vida tamb\u00e9m havia mudado. Nossa Heller estava casada e n\u00e3o tinha mais a disponibilidade de navegar at\u00e9 o Brasil conosco. Depois de ter vivido a vida do teatro, uma vida \u201cde cabe\u00e7a para baixo\u201d, durante quase nove anos nos quais dormia pela manh\u00e3 para estar pronta para as matin\u00eas, e estudava \u00e0 noite ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o noturna, ela foi para uma escola quaker na Pensilv\u00e2nia. Quando ela tinha 14 anos de idade, n\u00f3s t\u00ednhamos certeza de que se casaria a qualquer momento, antes de completar 15 anos. Est\u00e1vamos \u00e0s voltas com <em>Perils of Pauline<\/em> no per\u00edodo em que ela ficou noiva de v\u00e1rios rapazes e depois terminou o noivado. Ap\u00f3s seu primeiro ano de faculdade, em 1962, ela se casou com Anthony Weir. Richard e eu hav\u00edamos planejado para eles um casamento formal e grande, t\u00ednhamos endere\u00e7ado cerca de 500 convites, Mainbocher criou para ela um vestido de noiva deslumbrante. Da\u00ed, Heller e Tony \u2013 ap\u00f3s terem nos chamado para ir com eles \u2013 decidiram fugir para se casar, pois entenderam que ter o dinheiro seria mais pr\u00e1tico do que ter o casamento. No final das contas, a fam\u00edlia e os amigos da fam\u00edlia de Tony, nossa fam\u00edlia e nossos amigos, e os amigos dos amigos todos se reuniram em uma carreata \u2013 sete carros cheios de gente maluca fugindo para um casamento. Dirigimos por tr\u00eas dias e tr\u00eas noites, de Delaware a Washington, D.C., e at\u00e9 Maryland antes de, por fim, chegarmos a um local que n\u00e3o precisava de muita espera \u2013 Leesburg, Virg\u00ednia. E o que seria uma discreta escapada, acabou sendo mais cara que uma festa de casamento \u2013 como sempre acontece conosco.<\/p>\n<p>Ainda assim, Heller estava encaminhada \u2013 pensamos \u2013 e nos Estados Unidos. Em 1963, quando retornamos ao Brasil, est\u00e1vamos certos de que aquela seria a \u00faltima visita, a Decis\u00e3o. Provavelmente, dever\u00edamos vender a propriedade. N\u00e3o o fizemos. Ficamos l\u00e1 durante v\u00e1rios meses e, quando nos demos conta, est\u00e1vamos t\u00e3o vidrados que, inclusive, compramos mais terras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5651\" aria-describedby=\"caption-attachment-5651\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5651\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-de-Setembro-de-1972-Periodico-Manchete-09_480.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"633\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-de-Setembro-de-1972-Periodico-Manchete-09_480.jpg 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-de-Setembro-de-1972-Periodico-Manchete-09_480-400x528.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5651\" class=\"wp-caption-text\">A fazenda Halliday | Arquivo: Revista Manchete<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro n\u00e3o-membro da fam\u00edlia que recebemos no Brasil foi o homem que preencheu a lacuna deixada por Heller e Janet. Jean Baptiste Tad Adoue III \u2013 e que nome. Tad tem sido uma presen\u00e7a especial na nossa vida h\u00e1 mais de 30 anos. Ele \u00e9 um refugiado texano, de Dallas, e gosto de pensar que o conhe\u00e7o desde a inf\u00e2ncia, mas n\u00e3o \u00e9 verdade. S\u00f3 viemos a nos conhecer em Nova York, durante a Guerra, quando apareceu no nosso apartamento na 5\u00aa Avenida, usando uniforme da marinha e em companhia de um rapaz de Weatherford que eu adorava, Ralph Kindel Jr., e do colega de quarto de faculdade de meu antigo namorado Gus Cranz, Elmo Coon, de Millsap, Texas. Richard e eu amamos Tad Adoue \u00e0 primeira vista.<\/p>\n<p>\u00c9ramos todos da mesma faixa et\u00e1ria, mas Tad era como um filho para n\u00f3s. Quando fomos para Londres por conta da pe\u00e7a de Noel Coward, em 1946, quer\u00edamos que ele nos acompanhasse. Era dif\u00edcil obter visto naquela \u00e9poca por conta do estado geral de escassez na Inglaterra, ent\u00e3o Richard decidiu que dever\u00edamos levar Tad como nosso secret\u00e1rio. Ele telegrafou para o escrit\u00f3rio de Noel, pedindo ajuda para a obten\u00e7\u00e3o do visto, mas o nome de Tad confundiu tanto os brit\u00e2nicos que recebemos um telegrama de volta, perguntando: a) se a pessoa era homem ou mulher, e b) se ele ou ela era cidad\u00e3\/o americano\/a. Respondemos rapidamente que se tratava de um homem americano e Richard acrescentou, \u201cCertamente \u00e9 sabido o qu\u00e3o especialmente pessoal \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com um secret\u00e1rio nesta ind\u00fastria e Tad \u00e9 a segunda pessoa de personalidade mais agrad\u00e1vel que descobrimos em sete anos\u201d. Sinceramente, n\u00e3o sei dizer, hoje, quem Richard considerava ser a <em>outra<\/em> personalidade agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguimos o visto para o Tad, mas tamb\u00e9m nunca o perdemos de vista. Desde ent\u00e3o, ele tem se mantido sempre pr\u00f3ximo, e pronto para vir at\u00e9 n\u00f3s quando precisamos. Ao longo dos anos, ele telefonou, enviou montanhas de <em>clippings<\/em> de imprensa de Nova York e jornais especializados para nos manter em contato com o mundo. Pegou o avi\u00e3o para nos encontrar em todos os lugares, de Roma \u00e0 Sic\u00edlia e de Cuba ao Brasil. Sua apari\u00e7\u00e3o surpresa mais incr\u00edvel foi em um bar-hotel em Taormina, Sic\u00edlia, em 1952. Richard, Heller e eu quer\u00edamos que Tad viesse a Londres para nos visitar enquanto o musical <em>South Pacific<\/em> estava em cartaz, mas ele nunca foi. Depois, decidimos tirar umas f\u00e9rias curtas, e contamos a ele que ir\u00edamos para a Sic\u00edlia. Na nossa primeira noite l\u00e1, Richard e eu levamos Heller para dormir no quarto e descemos para o bar. Eu conversava com Richard quando, de repente, olhei para a minha direita e l\u00e1 estava Tad quietinho, sentado.<\/p>\n<p>\u201cTad!\u201d, gritei. \u201cComo assim? Quando&#8230;?\u201d<\/p>\n<p>Ele disse apenas \u201cBom, voc\u00ea disse que estava vindo para c\u00e1. Pensei em vir tamb\u00e9m e fazer uma surpresa.\u201d<\/p>\n<p>Quando esse homem t\u00edmido com sorriso de Will Rogers, que nunca pede por nada e s\u00f3 quer doar, apareceu no Brasil, Richard e eu sentimos que parte da nossa fam\u00edlia tinha voltado para casa.<\/p>\n<p>Todos os demais membros da fam\u00edlia chegaram a nos visitar no Brasil em algum momento. Minha irm\u00e3 e seu marido, Bob, a irm\u00e3 de Richard, Didi, Larry e minha nora maravilhosa, Maj, meus netos Heidi e Preston, Heller, meus netos Timothy e Matt, David Warshaw, Dr. Edward Biggs (um diagnosticador maravilhoso que salvou minha vida) e sua esposa, irm\u00e3 Gregory, Dorothy Hammerstein \u2013 um constante fluxo afetuoso de amigos, parentes, produtores, dramaturgos, compositores.<\/p>\n<p>Eram nossa alegria e distra\u00e7\u00e3o especial, al\u00e9m da pr\u00f3pria vida no campo. A prepara\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o para eles \u2013 e para n\u00f3s \u2013 era mais uma aventura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5652\" aria-describedby=\"caption-attachment-5652\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5652\" src=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-de-Setembro-de-1972-Periodico-Manchete-03_480.png\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-de-Setembro-de-1972-Periodico-Manchete-03_480.png 480w, https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-de-Setembro-de-1972-Periodico-Manchete-03_480-400x161.png 400w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5652\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo: Revista Manchete<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando Richard e eu tentamos morar l\u00e1 pela primeira vez, n\u00f3s est\u00e1vamos acampando, na verdade. Ele logo decidiu aumentar e civilizar um pouco nossa casa de adobe. Em poucos dias, havia 50 pessoas circulando pelo local, inclusive as esposas dos trabalhadores. Um dia, Richard e eu tentamos fazer um almo\u00e7o leve, sentados \u00e0 ainda inexistente janela, quando, de repente, por cima do peitoril, do lado de fora, vimos surgir quatro cabe\u00e7as, eram quatro dos nossos oper\u00e1rios \u2013 todos japoneses, todos irm\u00e3os, todos estr\u00e1bicos. Foi dif\u00edcil manter a seriedade. Acho que demos uma leve risada e os quatro ca\u00edram na gargalhada. Nunca descobrimos o que eles acharam t\u00e3o engra\u00e7ado, mas para onde f\u00f4ssemos dentro daquela pequena casa, l\u00e1 estavam eles nos seguindo, espiando novamente e morrendo de rir. N\u00f3s, finalmente, desistimos do almo\u00e7o. N\u00e3o consegu\u00edamos mais comer.<\/p>\n<p>Os trabalhadores estavam em todo lugar e nosso \u00fanico local de privacidade era um banheiro min\u00fasculo, t\u00e3o apertado que t\u00ednhamos que nos sentar no vaso sanit\u00e1rio para cal\u00e7ar os sapatos. Um dia, eu estava l\u00e1 dentro, ap\u00f3s o banho, vestindo suti\u00e3 e calcinha, quando uma parede inteira de adobe caiu. Ela simplesmente despencou, com tudo. Fiz uma pausa tentando colocar minhas botas, olhei para cima e para tr\u00e1s, e l\u00e1 estava um oper\u00e1rio brasileiro no topo de uma escada comprida, escorado em uma viga do teto acima da parede desabada.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o ficou nem um pouco alarmado, simplesmente abriu o radiante sorriso brasileiro e disse, \u201c<em>Bom dia<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u201c<em>Bom dia<\/em>\u201d, respondi e, depois, fui chiar para o Richard. \u201cDiga-lhe para colocar aquela parede de volta. Como vou me trocar agora?\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei como, mas eles colocaram uma cobertura de lona; Richard disse ao homem para ir embora, voltar depois e subir a parede. E ele se esqueceu completamente. Da \u00faltima vez que vi, o oper\u00e1rio ainda estava sentado \u00e0 sombra de uma \u00e1rvore, aguardando sua convoca\u00e7\u00e3o para consertar a parede de adobe. Eles conseguem derrubar em cinco minutos e levam uma hora para ergu\u00ea-la novamente.<\/p>\n<p>Quando terminamos a primeira etapa da nossa casa, ela tinha apenas um quarto \u2013 o nosso \u2013, mas eu tinha um est\u00fadio enorme no segundo andar e Richard, um escrit\u00f3rio grande. Ambos os c\u00f4modos continham sof\u00e1s para os h\u00f3spedes. N\u00e3o havia energia el\u00e9trica, mas as velas e lamparinas eram ador\u00e1veis. Depois acrescentamos uma casa de h\u00f3spedes com cozinha pr\u00f3pria, quarto, banheiro, sala de estar. Quando ela ficou cheia, constru\u00edmos outra, e adicionamos sala atr\u00e1s de sala \u00e0 casa principal, com cor e decora\u00e7\u00e3o diferentes. Nunca paramos de construir. A cada ano que passava, parec\u00edamos precisar de mais trabalhadores rurais, o que significava mais casas para eles. Richard projetou todas. Os agricultores que trabalhavam para n\u00f3s sempre tiveram muito pouco na vida. Richard construiu para eles casas inteiras com banheiro, piso de cimento e, mais para frente, at\u00e9 sistema de aquecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Todos se tornaram parte da fam\u00edlia. Na nossa fazenda, eu era \u201cDona Maria\u201d e, mais tarde, na minha butique, \u201cMary Marti\u201d, a estranha maneira com que conseguiam pronunciar \u201cMary Martin\u201d.<\/p>\n<p>Em dado momento, constru\u00edmos uma granja \u2013 sete mil galinhas e uma produ\u00e7\u00e3o de ovos fant\u00e1stica. Cultiv\u00e1vamos uma enorme variedade de frutas e legumes. Ali, na nossa propriedade, produz\u00edamos tudo de que precis\u00e1vamos, exceto sal, eletricidade e telefone. Quando finalmente passamos a ter energia el\u00e9trica, mantivemos nossas velas e nossa querida geladeira \u00e0 base de querosene, que funcionava maravilhosamente bem, exceto quando, de tempos em tempos, entrava ar nos seus canos. Nessas ocasi\u00f5es, era necess\u00e1rio vir\u00e1-la de cabe\u00e7a para baixo durante uma hora e dar-lhe uns tapinhas \u2013 o que muito se assemelhava a fazer um beb\u00ea arrotar \u2013 at\u00e9 que ela voltasse a funcionar.<\/p>\n<p>Por outro lado, nunca tivemos telefone, pois Richard n\u00e3o tolerava essa ideia naquele interior ador\u00e1vel, afinal, isso interromperia nosso sonho na selva.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Saiba mais sobre a aventura das estrelas de Hollywood no cerrado brasileiro <a href=\"https:\/\/ercolano.com.br\/loja\/produto\/terra-prometida\/\">na nova edi\u00e7\u00e3o de Terra Prometida<\/a>, com pref\u00e1cio de Flora Thomson-DeVeaux e prol\u00f3go de Matheus Pestana, que tamb\u00e9m traduziu a obra, e no epis\u00f3dio <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/3yhfUAxrbRyzoSdOj79y8I?si=ba8f2d37b9e54af7\"><em>Estado de s\u00edtio<\/em><\/a> do podcast R\u00e1dio Novelo Apresenta.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] &nbsp; Em Terra Prometida, a autora e atriz de Hollywood Joan Lowell tece um relato espirituoso de suas aventuras no centro-oeste brasileiro, a partir da d\u00e9cada de 1930. 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