Resenha: Bia Nunes sobre “Terra Prometida”, de Joan Lowell
Leia a resenha que a editora e tradutora Bia Nunes escreveu sobre o livro Terra Prometida, em que a atriz de Hollywood Joan Lowell narra sua aventura pelo cerrado brasileiro nas décadas de 1940 e 1950. A história, porém, desafia os limites entre a ficção e a não ficção, suscitando uma reflexão sobre o poder das histórias bem contadas. Confira abaixo:
“Quando a gente pensa em relatos de viajantes estrangeiros sobre o Brasil, o que vêm à mente são os textos escritos na época do Brasil Colônia. Mas Joan Lowell não é uma viajante como seus antecessores – ela mesma reconhece isso logo no começo de seu relato – e é isso que faz de Terra Prometida uma leitura tão interessante.
Em meados dos anos 1930, Joan era atriz em Hollywood e se apaixonou por um capitão de navio durante um cruzeiro pela América do Sul. O sonho do capitão era encontrar um rincão para chamar de seu e deixar a vida no mar (ele diz a Joan que antigamente “um capitão era dono de si”, mas “hoje é tudo pensado e ordenado por conselhos de administração”; o capitalismo já mandando a real desde 1935).
O casal então parte rumo ao sertão do Brasil, com a incumbência de abrir uma estrada em Goiás, indo de Jaraguá (a uns 90 km de Anápolis), até o povoado de Lavrinha. O livro, então, é um relato pessoal dessa jornada, no qual Joan conta sobre os altos e baixos, as perdas, as dificuldades (até acusada de assassinato ela foi!) e os aprendizados práticos, morais e espirituais.
A descrição que Joan faz dos sertanejos que passam pela estrada e com quem ela trava amizade me lembrou muito o que Antonio Candido escreve em ‘Os parceiros do Rio Bonito’.
Joan fala sobre os que se deslocam, Candido fala sobre os que se assentam, e os dois mostram a importância da cultura e dos costumes para a organização de uma comunidade. Estudiosa da alimentação como sou, gostei em especial das descrições do comer e do cozinhar.”
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